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Proteção em demasia é "desproteção"

Ao longo dos anos a observar e a apoiar famílias e crianças tenho concluído que, na maior parte dos casos, as crianças mais frágeis foram as mais protegidas pelos pais/família. Têm muitos medos, inseguranças, poucas estratégias de resolução de conflitos e fraca preparação para ultrapassar os  desafios do quotidiano. Todas as espécies protegem as suas crias. É um sentimento inato e desenvolvido face à dependência e ao amor dos seres tão imaturos e frágeis. Mas a proteção é também desenvolver a autonomia. Por exemplo, os pássaros promovem que as suas crias voem, os felinos que aprendam a caçar e outros tantos exemplos que promovem a independência como forma de “proteção”, para se adaptarem ao meio e às dificuldades e, em último caso, como forma de sobrevivência. Assim sendo, não se intende que os seres humanos, em sentido de extrema proteção, condicionem a autonomia dos filhos. Inconscientemente estão a desprotegê-los do mundo. Em muitos casos, tornam-se crianças com p...

Faz o que digo, não o que faço!

Faz o que digo, não o que faço Muitas felicidades residem por detrás dos estereótipos sociais. Dentro de um gabinete, tenho o privilégio de conhecer os mais profundos e honestos sentimentos. Lá dentro, não existe crítica ou censura. As pessoas têm liberdade de espírito. Por breves momentos, além de mães, são também mulheres com necessidades e desejos que, no exterior, são socialmente antagónicos com os valores sociais ou familiares. Antes de ser mães, saiam à noite, jantavam com amigas, viajavam e conheciam novas pessoas. Como é óbvio, o papel de mãe tem condicionantes que devem ser compreendidos. As mulheres devem adaptar-se e serem felizes na sua responsabilidade. Contudo, algumas mães confessam-me que a sociedade limita a expansão para os outros papéis. Além de mães, são filhas, amigas, profissionais, amantes e mulheres com direito à sua individualidade. Observo que, por vezes, a sociedade (ou grupo social)  confunde-os, criticando as mães que, por exem...

Ser um pai amigo

Ser um pai amigo Ser um pai amigo é bem diferente de ser um amigo que é pai. Ser amigo é "cool", os miúdos riem-se à brava! Mas não é a melhor opção a longo prazo. Primeiro deve ser pai. Isso exige que o reconheça enquanto regulador de limites, de exemplo, de respeito e de amor paterno. É um amigo, sem dúvida, que lhe ensina o caminho, que lhe mostra sabedoria e que também brinca, ri e faz "macacadas". Ser um amigo é, de alguma forma, ser permissivo.  É construir uma relação mais "anárquica" e esperar que no futuro os limites da relação surgam por si só.´Um amigo pai, não costuma "ralhar". Geralmente brinca com os comportamentos de oposição dos filhos. Mais tarde, vai querer ser "pai", impor respeito e admiração. Não será fácil.    O papel de pai constrói-se desde cedo e não quando é confortável ou necessário. É uma responsabilidade de pertença. Os amigos são uma escolha individual. Cabe aos pais, serem uma base nas futuras am...