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A mostrar mensagens com a etiqueta Patrícia Fonseca

Aquilo que o amor não é

Aquilo que o amor não é Apesar das inúmeras teorias sobre o amor, na prática é bem diferente. Ao início existe sempre o encantamento, a tolerância nas expectativas não correspondidas e  a predisposição para dar mais do que recebe.  Mas a longo prazo, geralmente, tudo isto se altera. O que relativizámos anteriormente passa a não ser tolerado e quando as nossas expectativas não são satisfeitas cobra-se do outro, tornando algo que devia ser natural numa obrigação ou num receio de decepção. Aos poucos, o encantamento poderá transformar-se num sofrimento. É aquilo que o amor não é. Observo que as pessoas ao invés de procurarem o amor, procuram ser amadas. E mais uma vez, é aquilo que o amor não é. Procura-se de forma permanente, uma compensação imediata. Como se merecessemos receber sempre o melhor do outro sem ter que dar. Também não se pode criar a ilusão que a reciprocidade tem equidade de forma duradoura. Ou que a reciprocidade existe naturalmente quando duas pessoas...

Filhos da violência

Filhos da violência Existem realidades que conhecemos através dos meios de comunicação social. Jovens que roubam, que se drogam, que vivem por si só e cometendo os mais diversos comportamentos desviantes.  São criticados e intitulados de marginais. De facto cometem crimes contra inocentes e até contra si próprios. É condenável, sem dúvida.  Somos educados, respeitamos regras, seguimos um caminho escolar, social e familiar dentro do considerado normal. Logicamente ficamos perplexos com a violência e com os delitos cometidos por esses jovens que, não recebendo acompanhamento, serão certamente adultos perigosos.  Não desculpando tais actos, enquanto Psicóloga, tenho oportunidade de ouvir suas histórias de vida. O M. assume "desde os seis anos que ando na rua, utilizando o meu corpo para obter dinheiro. Se voltasse para casa, o meu padrasto espancava-me ou violava-me e a minha mãe ainda lhe dava razão. Aprendi que só a violência resolve a nossa di...

O que seria de mim sem ti!

O que seria de mim sem ti A barriga da mãe cresce, assim como as inseguranças do que "está cá fora"! As crianças desejam um irmão para brincar, partilhar momentos e dividir emoções. Mas, desejam igualmente continuar a ter a atenção e amor previligiado dos seus pais. Surge uma ambiguidade emocional nas crianças que, normalmente, se refletem em comportamentos instáveis de chamadas de atenção. Em alguns casos, com queixas somáticas. Começam a ter dores (de barriga, de cabeça, indispostos, com irritabilidade, entre outros específicos a cada caso). Observei, ao longo dos anos, os mais diversos tipos de reações. Geralmente, à frente dos pais entram em conflito com irmão/irmã mais novo/a, mas sozinhos com os respectivos são meigos e atenciosos. É um misto de amor e ciúme. Para os adultos, pode ser entendido como uma "fase". Para a criança não será bem assim. Ainda em processo de reestruturação das suas emoções e personalidade, uma extrema insegurança ou uma alte...

Podemos ser felizes na diferença!

Podemos ser felizes na diferença Como disse a querida Tânia Ribas de Oliveira, quando me entrevistou no programa Agora Nós, do dia 19 de Setembro, o livro veio alargar o apoio às crianças e suas famílias sem a barreira da "secretária" em ambiente de consultório.  Os mais pequenos poderão entender que, através da história do Martim, a diferença também pode ser feliz.  Não existem "casas" iguais. Existem pessoas que cuidam, que lhes dão afecto e amor, independentemente das circunstâncias.  Trabalho há 16 anos sob duas premissas: 1° - o que nos distingue enquanto profissionais é, sem dúvida, o que somos enquanto pessoas. A nossa experiência, sensibilidade e capacidade de criar confiança e empatia. Fundamental no trabalho com crianças.  2° - nada se conquista sozinho. O livro é exemplo disso. Foi com a colaboração de amigos e profissionais que se tornou possível. Assim como o trabalho com os mais pequenos. Sem o empenho e d...

Faz o que digo, não o que faço!

Faz o que digo, não o que faço Muitas felicidades residem por detrás dos estereótipos sociais. Dentro de um gabinete, tenho o privilégio de conhecer os mais profundos e honestos sentimentos. Lá dentro, não existe crítica ou censura. As pessoas têm liberdade de espírito. Por breves momentos, além de mães, são também mulheres com necessidades e desejos que, no exterior, são socialmente antagónicos com os valores sociais ou familiares. Antes de ser mães, saiam à noite, jantavam com amigas, viajavam e conheciam novas pessoas. Como é óbvio, o papel de mãe tem condicionantes que devem ser compreendidos. As mulheres devem adaptar-se e serem felizes na sua responsabilidade. Contudo, algumas mães confessam-me que a sociedade limita a expansão para os outros papéis. Além de mães, são filhas, amigas, profissionais, amantes e mulheres com direito à sua individualidade. Observo que, por vezes, a sociedade (ou grupo social)  confunde-os, criticando as mães que, por exem...

Ser um pai amigo

Ser um pai amigo Ser um pai amigo é bem diferente de ser um amigo que é pai. Ser amigo é "cool", os miúdos riem-se à brava! Mas não é a melhor opção a longo prazo. Primeiro deve ser pai. Isso exige que o reconheça enquanto regulador de limites, de exemplo, de respeito e de amor paterno. É um amigo, sem dúvida, que lhe ensina o caminho, que lhe mostra sabedoria e que também brinca, ri e faz "macacadas". Ser um amigo é, de alguma forma, ser permissivo.  É construir uma relação mais "anárquica" e esperar que no futuro os limites da relação surgam por si só.´Um amigo pai, não costuma "ralhar". Geralmente brinca com os comportamentos de oposição dos filhos. Mais tarde, vai querer ser "pai", impor respeito e admiração. Não será fácil.    O papel de pai constrói-se desde cedo e não quando é confortável ou necessário. É uma responsabilidade de pertença. Os amigos são uma escolha individual. Cabe aos pais, serem uma base nas futuras am...

O tempo de cada um

O tempo de cada um A idade é um indicador e não um critério! Existem inúmeros estudos que definem idades para determinadas aquisições, que nos permitem conhecer e entender o desenvolvimento das nossas crianças. Mas, cada criança tem o seu ritmo e a sua forma tão característica de adquirir as suas capacidades. A estimulação é fundamental,  mas nada melhor que experimentar por ela própria o que a vida tem para oferecer. Costumo ouvir com frequência que determinada criança ainda não consegue falar, andar ou comer de forma autónoma comparativamente a outras. Como se todos os miúdos tivessem que aprender determinada competência em tempo exacto! A sociedade cria estereótipos e competições nas aquisições mas esquecem-se, muitas vezes, das emoções! Por exemplo, uma criança de 3 anos está com dificuldades em retirar as fraldas mas possui uma capacidade fantástica de afecto e de socialização!  Mas,  ainda assim, o mais importante continua a ser as fraldas! Mais grave ainda, ...

A minha verdade

A minha verdade "Não vemos as coisas como são, vemos as coisas como somos". Tendencialmente seguimos padrões. Os nossos valores ou formas de pensar são (sempre) as "mais correctas". Defendo e acredito na minha conduta - e  o outro também, que é completamente diferente de mim. Eu estou certa e ele errado. E vice versa. A nossa família e o nosso grupo de pertença concordam (geralmente) com a nossa conduta. Obviamente. Por isso é que nos identificamos com eles (sempre de alguma forma). O lema que os opostos se atreem é um mito! Até as crianças escolhem os pares pelas brincadeiras que gostam em comum! Nós adultos, mesmo que consideremos que nos adaptamos a alguém diferente, a longo prazo constatamos que não funciona. Criamos falsas expectativas acerca do outro mediante o que somos ou pensamos. Pergunto-me... Qual é o problema de termos gostos opostos? Se de facto a diferença não prejudicar ninguém, porque a crítico? Se sou mais feliz na companhia de alguém...

A distinção da diferença

A distinção da diferença Tudo o que destoa do considerado comum, a sociedade intitula como diferente. É diferente, principalmente, porque se vê! Compara-se e gera as mais diversas reações, opiniões e emoções.  Contudo, a diferença reside em todos nós. No que é visível aos olhos e no que está "incoberto".  Todos temos dificuldades, sejam físicas, emocionais, cognitivas ou relacionais. Quando valorizamos as "diferenças" dos outros, geralmente, minimizamos as nossas, mesmo que seja de forma inconsciente.  Não significa que, de facto, não existam dificuldades maiores que outras! Para haver equidade devem-se promover medidas diferentes para obter a igualdade de circunstâncias. Por exemplo, um aluno com dificuldades cognitivas beneficia de mais apoio para atingir o mesmo sucesso escolar do aluno que o atinge facilmente. Em doenças limitativas, obviamente, deve-se promover os apoios necessários para que obtenham circunstâncias idênticas aos outros, diminu...

Filhos de amor

Filhos de amor O amor pelos filhos é incondicional. É, sem dúvida. Já partilharam comigo que, simplesmente por terem a sua "semente" já produz um efeito de amor e pertença extraordinário! Assisti a alguns testemunhos de pais ao verem a primeira ecografia dos seus filhos.  No entanto, tento sempre frisar aos pais que os filhos não são um prolongamento de si, são de facto pessoas que nasceram de si, mas são individuais e únicos, como todos nós.  Será este amor possível em filhos não biológicos? Claro que sim! O caso das adoções, dos companheiros que assumem as crianças como filhos, os filhos das pessoas amigas que adoramos e entre tantos outros exemplos.  Sei que a carga genética terá o seu contributo mas o amor transcende. Daí também a nossa capacidade de amar verdadeiramente fora da família de pertença.  Eu amo a minha sobrinha (na foto). Dava a vida por ela como daria pelo meu filho biológico. Claro que neste exemplo existe o f...

As pessoas que se transformam em estrelas

As pessoas que se transformam em estrelas A morte é um tema muito difícil de transmitir às crianças. Não só pelo receio do seu sofrimento mas também pela dor, que nós adultos, também sentimos com a perda. Se para nós é doloroso, colocamos uma conotação mais elevada no que a criança poderá sentir. De facto, temos conhecimento e estratégias que os mais pequenos ainda não possuem. As crianças fantasiam, idealizam e criam cenários, numa simbiose entre o real e o imaginário. O mais comum é dizer que a pessoa amada foi para o céu. Em consulta, as crianças questionam-me: - Patrícia, como é que a minha avó não cai do céu?; - Como é que a minha prima consegue ver-nos se é uma estrela? As estrelas não têm olhos!; - Patrícia, se o meu pai está no céu, e é cuidado por Deus, como é que Deus consegue cuidar de tanta gente ao mesmo tempo?; - Estou muito preocupado Patrícia. Hoje está a chover. A minha irmã está no céu. Deve estar cheia de frio!. São alguns exemplos que, a maneir...

Mãe tenho fome!

Mãe, tenho fome! Quando me diz isso, percebo que ele quer doces. Pergunto: "Queres fruta?"; responde: "Não, tenho fome!" (os avós habituam-no mal!). Durante o ano lectivo, observei os lanches que os miúdos traziam para a escola. Foi implementado por alguns professores "o lanche saudável". Quem mostrasse um lanche considerado saudável ganhava pontos. Uma forma lúdica de incentivar as crianças e os pais a criarem hábitos alimentares saudáveis aos filhos. No entanto, o conceito só era conseguido a metade. O leite vem acompanhado pelo pão com chocolate ou de bolos. A fruta não era opção (ou pelo menos da maioria). A alimentação é um hábito. Logicamente habituamo-nos mais facilmente ao que é doce e saciante. Se uma criança for habituada desde cedo a fazer uma alimentação variada, mais fácil se torna quebrar os maus hábitos. No entanto, temos que saber distinguir o que é capricho das crianças e o que realmente não gostam. Se os adultos selecion...

Duas bicicletas iguais a uma

Duas bicicletas iguais a uma! Ir passear com os filhos é muito bom. Interagir com eles é muito melhor! Não sou mãe de ficar sentada a admirar as proezas do meu filho num jardim, por exemplo, a andar de bicicleta. Se assim fosse já seria bem bom. Mas quero melhor. Quero fazer corridas de bike, de trotinete ou de skate, quero jogar à bola, quero que ele sinta que pode contar comigo, inclusive nas brincadeiras. Duas bicicletas são iguais a uma! A uma manhã divertida, a uma volta competitiva, a uma experiência agradável! E ele pode, com legitimidade, dizer aos amigos que é mais rápido que a mãe, que me ensinou a andar se skate, que marcou 10 golos no jogo de futebol, e com toda a naturalidade do mundo! Lembro-me que tinha 18 anos quando fui, pela primeira vez, buscar o meu sobrinho à escola. Os outros miúdos olharam para mim, depois para ele e disseram... "tens uma tia tão nova!". E era. Hoje, 20 anos mais tarde, continuo a sentir-me nova. Não para parecer...

A família do coração

A família do coração! Costumo ouvir muitas vezes na consulta de psicologia que o grande apoio de muitas pessoas são os seus amigos...infelizmente, em muitos casos, os amigos estão mais disponíveis que a família...e sem julgamentos ou criticas! É a ligação do coração, aquela que escolhemos livremente! E, quando são dos bons, são o pilar da nossa vida. Tenho o privilégio de manter amigos de infância e de conter amigos mais recentes como irmãos, numa cumplicidade de alegria, de bem-estar e de dedicação reciproca. O melhor conceito de amizade que posso dar ao meu filho é permitir-lhe vivenciar isso! E com exemplos meus! Conhecendo, interagindo nesse ambiente harmonioso e feliz! Na reunião de pais na escola, uma das observações da professora foi que ele valorizava a amizade, sendo alegre, prestável e leal! Que excelente alicerce construí nele através do que eu e os meus amigos do coração lhe damos! No seu ciclo familiar ele incluí...

Coisas de pais e filhos!

Coisas de pais e filhos! Por toda a parte encontramos sugestões, conselhos, instruções para educar melhor e tornar as crianças mais saudáveis e felizes! Conselhos práticos e até ideias fantásticas!  E na prática, adequam-se às dinâmicas das famílias e das crianças? Serão esses conselhos adequados a todas as realidades? Cada família é única! Cada criança é diferente! Este blog pretende partilhar conceitos básicos e aplicáveis! A seu tempo, adequado a todas as famílias, que na sua diferença, querem ter momentos felizes!